Waldo Motta. Jardim da Costa Pereira.


É no jardim da Costa Pereira que o poeta Waldo Motta também se contempla, imerso em suas palmas, quando as brisas passam leve, suavemente, como se aí jazesse, em um tempo profundo e infinito, onde a felicidade poderia existir no seio da natureza, mesmo quando refeita em jardim.



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“Se o que eu fora jazesse

Sob a terra fresca e perfumada

Deste jardim público;

Se estas gramíneas e estas palmas lânguidas

Fossem filamentos clorofilados de mim

E em cujas artérias corresse o meu sangue,

A seiva rubra cambiada em verde;

E se nessa minha existência vegetal Houvesse, ao menos de quando em vez, Esta brisa que neste instante acaricia

As folhas longas e lassas,

Como se as ninasse para um sono Profundo e infinito... Se o que eu fora jazesse

Aqui diante de mim que estou imerso

Na contemplação das folhas embaladas Pela brisa suave que as perpassa, leve, suavemente... Ah, eu tenho certeza que seria feliz!”

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Do livro O signo na pele, publicado, segundo Waldo Motta, em 1981.

Texto inicial: Kleber Frizzera/@apartirdocentro

Imagem: David Protti

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