Cais ou Torniquete? por Vitor Burgo


O relógio marca a hora do expediente, mas a escuridão do céu denuncia o descompasso. Na cidade, os ofícios costumam ter lugar à luz do sol - salvo o dos padeiros e vigias noturnos. O anoitecer nos fazer recolher os corpos e as forças para o descanso. Há do outro lado desse paredão, formado por galpões e cercas, uma energia que não cessa, porém. São pessoas, navios, mercadorias de todo o mundo que se movimentam ao sabor das marés. Os fluxos da água salgada asseguram que não haverá turno de descanso: os trabalhadores do mar têm seu próprio fuso. O que faz com que essas duas energias não se encontrem é mistério que anda difícil desvendar. Posso, entretanto, assegurar que quem responder e solucionar essa questão fará com que duas forças se encontrem e fluam de forma indefinida.

O Centro teve garroteada sua força primordial e assiste, sorumbático, ao esvaziamento de suas veias. Permitam que o mar volte a desaguar nesse torrão de terra e admirem o renascimento de um ser vivo que clama por seu protagonismo.


Vitor Burgo @vvitorburgo

Morador do Centro, Doutor em Direito e Professor da FGV.

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